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Mulheres aproximam ultradireita de Portugal e agenda evangélica brasileira

Um novo movimento de mulheres conservadoras será lançado oficialmente em Portugal em novembro, aproximando deputadas do Chega de figuras da direita brasileira e de uma agenda assente na defesa da família, do cristianismo e da oposição ao aborto.

O pré-lançamento foi realizado em 11 de julho, no Palácio Valenças, em Sintra, num espaço pertencente à Câmara Municipal. O encontro contou com a presença de deputadas do Chega, entre as quais Rita Matias, Cláudia Estevão e Madalena Cordeiro, e da deputada federal brasileira Priscila Costa (PL-CE), segundo o Diário de Notícias Brasil.

Entre as oradoras estiveram Teresa Nogueira Pinto, que coordena a área da Cultura no Chega; Catarina Nicolau Campos, jurista e chefe de gabinete do grupo parlamentar do CDS-PP; e Rute Sousa, uma das oito influenciadoras que esteve em Israel a convite da Embaixada israelita em Portugal e que soma mais de 108 mil seguidores apenas no Instagram. Na apresentação das participantes, a organização fez também referência à maternidade e ao número de filhos.

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A aproximação à direita brasileira ganha particular relevância pelo papel que as igrejas evangélicas desempenham no Brasil como importante base de apoio da direita e do bolsonarismo. Em Portugal, o Chega tem mantido contatos com comunidades evangélicas, mas não tem assumido, até agora, uma estratégia política especificamente dirigida a este eleitorado.

De acordo com o Censo de 2021, entre a população com mais de 15 anos residente em Portugal, cerca de 186 mil pessoas identificaram-se como “protestantes evangélicos”.

A religião católica é uma das bandeiras assumidas por André Ventura, que inclui regularmente passagens por igrejas nas suas campanhas eleitorais. Nas últimas eleições presidenciais, por exemplo, antes de se deslocar para a sede de campanha para acompanhar os resultados do segundo turno, Ventura informou os jornalistas de que iria assistir à missa dominical.

A iniciativa poderá, por isso, assumir uma importância maior para o Chega do que a de uma simples organização de mulheres conservadoras. Através deste movimento, algumas das principais figuras femininas do partido aproximam-se de uma rede internacional que combina conservadorismo político, cristianismo e oposição ao aborto, precisamente algumas das bandeiras que têm ajudado a direita brasileira a mobilizar o eleitorado evangélico.

Folha de S. Paulo