O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, rebateu nesta sexta-feira (18) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou organizações criminosas brasileiras como terroristas e criticou o enfrentamento às facções no país.
A declaração de Lula ocorreu durante um evento oficial no Rio de Janeiro, que reuniu representantes das áreas de segurança pública dos governos federal, estadual e municipal.
Lula defendeu a retomada de territórios ocupados por traficantes no Rio e rejeitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
“Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump”, afirmou.
Segundo o presidente, quando Trump fala em terrorismo, ele se refere ao chamado terrorismo de Estado e à disputa pelo poder.
Lula citou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao mencionar os ataques de 8 de janeiro e afirmou que havia um plano para matar o próprio presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Bolsonaro foi condenado pelo STF por crimes relacionados à trama golpista. Entre os fatos considerados no processo está o conhecimento de um plano para matar Lula, Alckmin e Moraes.
Petróleo e terras raras
Lula também criticou Trump ao defender o reforço da vigilância na região da Margem Equatorial, no Norte do país, e no pré-sal, no litoral do Sudeste, áreas relacionadas à exploração de petróleo.
“Nós temos que tomar conta porque o Trump está aí. O Trump está aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terra rara”.
No dia 15 de setembro, Trump criticou o governo brasileiro em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos. Segundo o presidente norte-americano, o Brasil não teria conseguido enfrentar o PCC e o CV, classificados pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras.
A designação foi anunciada pelo governo norte-americano em maio e entrou oficialmente em vigor em junho.
Integração entre governos
Durante a cerimônia no Rio, foram apresentados convênios entre os governos federal, estadual e municipal em três áreas.
Uma delas prevê a proteção integrada de corredores logísticos, com ações contra a mobilidade de criminosos e o roubo de cargas em áreas como a Avenida Brasil, Linha Vermelha, Linha Amarela e acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional.
Outra parceria estabelece a Política Estadual de Reocupação Territorial, com o objetivo de reduzir o controle territorial, armado e econômico de organizações criminosas e ampliar a presença do Estado.
Também foi apresentada a Força Municipal, iniciativa que prevê a capacitação de agentes armados da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, com participação de órgãos federais, como a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Os convênios com o governo estadual foram assinados no início de setembro e têm vigência de 60 meses. Já a parceria com a prefeitura foi firmada em agosto de 2025 e tem duração de três anos.
Lula afirmou que o Rio funciona como uma espécie de laboratório para ações integradas de segurança entre as três esferas de governo.
“Se der certo no Rio, vai dar certo em todo o território nacional”.
Governador defende soberania
O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que a atuação conjunta com o governo federal tem resultado em maiores apreensões de drogas e defendeu a autonomia do país no combate ao crime.
“O Brasil tem condições, sim, de, por si, seguir em frente e realizar as atividades próprias da segurança. Não é o caso de sermos tutelados”.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, explicou que uma das ações de integração da prefeitura envolve o compartilhamento de informações de inteligência e o monitoramento por vídeo das vias.
O evento foi realizado no Complexo da PRF, onde também funciona a sede da Força Municipal, no entroncamento da Avenida Brasil com a Rodovia Presidente Dutra.


